Falando Sobre Educação (e o Tsunami no Japão)

Terça-Feira, 02 de Agosto de 2011
Falando Sobre Educação  (e o Tsunami no Japão)

Atualmente é muito comum ver publicações ou ouvir considerações, opiniões ou observações sobre o resgate da educação na sociedade curitibana. Com frequência os melhores jornais e revistas abordam esse tema, chegando a sugerir que esse assunto deveria se constituir em matéria dos currículos escolares. Pensar assim é focar a situação sob uma ótica distorcida fundamentada em falsa premissa.

Na verdade, quanto à educação, a escola tem apenas um papel complementar àquilo que é responsabilidade inalienável da própria família.

Ao se escolher as escolas para os filhos, se deveria optar por aquelas que além de propiciarem informações qualitativas e intelectuais, também possuam uma cultura adequada ao desenvolvimento e fortalecimento dos valores éticos, morais e cívicos (daí, a grande admiração pelas escolas tradicionais, com orientação militar ou religiosa). Esses quesitos, claro, fazem enorme diferença.

Enfatize-se, entretanto, que a educação é responsabilidade intransferível dos pais.

Ensinar regras da boa convivência, do respeito e da educação é questão de bom senso e vem de casa.

A atual geração de quarentões e cinquentões deve bem lembrar quando eram crianças e adolescentes (principalmente nas cidades do interior), que os limites de cada um eram observados e seguidos nas interações com os familiares, vizinhos, colegas, amigos, professores, etc. Havia também grande respeito pela preservação de instalações físicas, residências e bens públicos. Os pais ensinavam tudo e, na maioria das vezes, sequer possuíam “curso superior”.


Não havia tolerância, a qual tem embutido em seu âmago, o poder do permitir. Havia sim, o respeito e o respeitar, que tem no seu espírito a aceitação irrestrita das diferenças individuais.

Existia admiração e respeito pela história de vida das pessoas, pelos idosos, pelos mortos, pelos filhos de imigrantes, pelos professores, pelas autoridades e para com todos que compunham aquela sociedade.

Havia uma cobrança da família pelos bons modos e pela gentileza. O maior patrimônio de cada pessoa era o seu nome e o nome da família. Aliás, os nomes de cada um e da família eram sagrados.

Não era suficiente ser educado. Tinha-se também, que respeitar e ser gentil.

Palavões? Nem pensar! Principalmente, se houvesse testemunhas que poderiam contar para os pais ou divulgar para os professores e para as famílias dos amigos que aquela pessoa era mal-educada.

Nesse tempo, meninas nunca falavam palavrões e os piás (garotos) que, eventualmente falassem qualquer palavrão eram chamados de “nomentos” e eram rejeitados pelos grupos.

Os pais, só pelo olhar, adivinhavam que o filho aprontou alguma coisa e perguntavam: por que essa cara de cuíca?

Para se poder tomar as hóstias no domingo, aos sábados à tarde, todos iam à Igreja se confessar. E, olhe-se que não se cometiam grandes pecados, mas haviam as penitências e a vergonha dos deslizes cometidos. O tempo que se permanecia ajoelhado pagando a penitencia, identificava a quantidade de pecados cometidos durante a semana. Os meninos ficavam ajoelhados (e encabulados) muito mais tempo do que as meninas.

Em qualquer briga de rua, ninguém se atrevia a ofender a mãe de ninguém. Mãe também era nome sagrado. Até para mandar alguém para algum lugar (PQP), se usava a expressão: vá para a Conchinchina (lugar que só depois de adulto e com algum conhecimento de história e geografia se descobriria que realmente existia e que ficava no atual Vietnã). O uso da expressão tinha o significado de que o “mandado” deveria sumir no universo, pois a Conchinchina, era entendida como um lugar tão longe quanto hoje é planeta Saturno.

Nessa época se queria pensar que os políticos seriam estadistas e que se preocupariam com o bem estar do povo. Os pais eram exemplos a serem seguidos, os professores eram admirados, os ídolos se preocupavam com a sua imagem pública (a forma de sentar, caminhar, falar e se manifestar),enfim, todos eram respeitados e muitos, mas muitos mesmos, eram honestos

Nos campos e nas quadras esportivas não havia coro coletivo xingando a mãe de ninguém, como se isso fosse a coisa mais natural do mundo

Nas aparições públicas ou na mídia todos procuravam agir, sentar, levantar, caminhar e falar (sem gírias) com educação.

Como se vê, para ajudar a melhorar esta situação, a sociedade precisa muito de modelos e exemplos que propiciem a adequada mudança de atitudes e comportamentos.

Os orientais, de maneira geral (e o Japão de modo especial), constantemente impressionam e, quando menos se espera, ainda surpreendem: mesmo durante a gigantesca tragédia do terremoto seguido do tsunami, o povo japonês não perdeu suas referências de cultura e valores. Emocionaram o mundo e inspiraram à reflexão ao se ver imagens onde buscavam recuperar os túmulos de seus mortos como se fossem mais importantes que as suas próprias casas e, procurando, com grande sensibilidade resgatar até as fotografias de seus antepassados. Esse é um exemplo para se entender o que são verdadeiramente: valores, cultura e educação.

Assunto: Atitudes e Comportamentos

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